Tipos
Lenga-lenga
No dicionário, lenga-lenga é definida como algo extenso, entediante, enfadonho — ou até mesmo como enrolação.
Mas no contexto deste guia, lenga-lenga é um tipo de texto que explora intensamente as rimas e as repetições. Essas características encantam especialmente as crianças menores, pois durante uma leitura ou contação de história, elas conseguem antecipar os acontecimentos e participar ativamente.
A presença de repetições e rimas favorece a compreensão, a memorização e, consequentemente, estimula uma leitura mais autônoma e prazerosa.
Observe no vídeo do grupo Tiqueqê 👇 o que poderia chamar de um clássico da lenga-lenga. 😉
Classificação é sempre algo que gera divergências, mas para ajudar na compreensão, agrupamos as lenga-lengas nos seguintes tipos:
- Históricas circulares ou sem fim
- Histórias com repetição
- Histórias com acumulação
- Tangolomangos
- Mistos
Circulares ou sem fim
Veja um exemplo da autora Regina Pamplona. 👇
“Era uma vez um rei
sentado no sofá
que pediu para a sua babá
que contasse uma história.
A história começou:
Era uma vez um rei
sentado no sofá... ”
Agora, outro exemplo de história circular, esta contada por Laruama Alves e Élcio Rodrigues em episódio do Quintal da Cultura.
Repetição
Os livros abaixo são exemplos de histórias com repetição.
- Os bichos também sonham
de Andrea Daher, Zaven Paré. WMF - Bruxa, Bruxa, venha à minha festa
de Arden Druce, ilustrado por Pat Ludlow São Paulo: Brinque-Book Editora, 1995. - O rei Bigodeira e sua banheira
de Audrey Wood, ilustrado por Don Wood São Paulo: Editora Ática, 2006.
Observe na imagem 👇 a repetição no Bruxa, Bruxa venha à minha festa.

Acumulação
São histórias em que personagens, objetos ou ações se acumulam progressivamente, crescendo em número ou intensidade a cada nova passagem.
Dois exemplos de livros com a estrutura de repetição acumulativa.
- E o dente ainda doía
de Ana Terra, Editora Dcl. - A casa sonolenta
de Audrey Wood, ilustrado por Don Wood. São Paulo: Editora Ática, 2005.
No livro A menina que não comia nada, eu brinco com esse formato, começando com uma “redução” antes de iniciar a acumulação.
- A menina que não comia nada
de Parahuari Branco. Editora eTrix, 2025.
Tangolomangos
História em que os personagens vão diminuindo devido aos eventos desencadeados pela narrativa.
Um tangolomango muito difundido é o das Nove irmãs. Encontramos registros deste tangolomango com variações. Abaixo a versão cantada pela Bia Bedran e gravado no Teatro Municial de Niterói.
Eram nove irmãs numa casa, uma foi fazer biscoito.
Deu tangolomango nela e das nove ficaram oito.
Eram oito irmãs numa casa, uma foi amolar canivete.
Deu tangolomango nela e das oito ficaram sete.
Eram sete irmãs numa casa, uma foi falar inglês.
Deu tangolomango nela e das sete ficaram seis.
Eram seis irmãs numa casa, uma foi caçar um pinto.
Deu tangolomango nela e das seis ficaram cinco.
Eram cinco irmãs numa casa, uma foi fazer teatro.
Deu tangolomango nela e das cinco ficaram quatro.
Eram quatro irmãs numa casa, uma foi falar francês.
Deu tangolomango nela e das quatro ficaram três.
Eram três irmãs numa casa, uma foi andar nas ruas.
Deu tangolomango nela e das três ficaram duas.
Eram duas irmãs numa casa, uma foi fazer coisa alguma.
Deu tangolomango nela e das duas ficou só uma.
Era uma irmã numa casa, e ela foi fazer feijão.
Deu tangolomango nela e acabou a geração.
É possível encontrar variações inspiradas no tangolomango das Nove irmãs como este aqui gravado pela Mariane Bigio (parceria e Milla Bigio e Diego Santos) que propõe um "final feliz". 🙂 É o tangolomango dos coelinhos. O livro Chá das dez escrito por Celso Sisto também se inspira nos tangolomangos, mas também se preocupa em proporcionar um final feliz. Também me aventurei nesta forma narrativa com o Dez Capivaras: o tangolomango das capis.