Produção textual
Atividade
Vamos produzir lenga-lengas com os nossos alunos? ✍️
Assim como a rima e a repetição favorecem a compreensão e a memorização do texto pelas crianças, permitindo uma leitura autônoma, elas também contribuem para a escrita. A escrita também pode incentivar a leitura! 😉
Nesta atividade, a proposta é que os alunos produzam tangolomangos.
Antes de seguir com a proposta de atividade veja abaixo o vídeo em que Parahuari, Alucard e as bruxas Beth e Felícia convidam os alunos da TV Escola (Curitiba) a produzirem tangolomangos. Tem até o tangolomango dos "games" (veja no 33:20).
Conheça também a experiência da professora Mara Elizabeth Mansani no uso das lenga-lengas com alunos em fase de alfabetização.
A seguir, apresento uma sugestão de estrutura que pode apoiar a organização do projeto em sala de aula. No entanto, é importante lembrar que cada turma é única. Você pode — e deve — adaptar essa proposta com base em seu conhecimento, nas características dos alunos e no contexto em que atua. Vale também conversar com a turma, escutar suas ideias e, juntos, definir a melhor estratégia para dar vida ao projeto de forma significativa e participativa.
Estrutura
- Diagnóstico Inicial
- Realize uma sondagem diagnóstica para identificar o nível de escrita de cada aluno.
- Analise hipóteses de escrita e dificuldades individuais.
- Apresentação do Projeto
- Explique aos alunos a proposta de criação de um livro coletivo de lenga-lengas.
- Motive-os destacando que eles serão autores de verdade.
- Leitura e Exploração de Modelos
- Leitura do Dez Capivaras.
- Destaque rimas, repetições e estrutura dos textos. Outros exemplos:
- Nove irmãs.
- “Dez Sacizinhos”, de Tatiana Belinky.
- "Chá das dez", de Celso Sisto.
- Formação de Grupos
- Divida os alunos em grupos. Como estratégia você pode:
- Criar grupo de alunos com hipóteses de escrita semelhantes.
- Buscar incluir ao menos um aluno com hipótese mais avançada (silábico-alfabética ou alfabética) por grupo.
- Divida os alunos em grupos. Como estratégia você pode:
- Cada grupo deve escolher
- Situação.
- Dez elementos.
- Escriba (versão final do texto).
- Durante a escrita promova "intervenções pedagógicas"
- Circule entre os grupos.
- Oriente, questione, desafie e apoie o avanço da escrita.
- Faça intervenções pontuais (10-15 minutos por grupo).
- Depois da escrita
- Revise os textos com a ajuda de todos os alunos e faça intervenções cuidadosas.
- Alunos produzem as ilustrações.
- Diagramação
- Produção dos livros ilustrados (PowerPoint, Google Slides, Canva...).
- Promova o lançamento dos livros, valorizando os autores.
Diagnóstico Inicial
Antes de iniciar o trabalho com o gênero textual lenga-lenga, é fundamental compreender o ponto de partida de cada aluno em relação à aquisição da linguagem escrita. Para isso, realiza-se uma sondagem diagnóstica, que tem como objetivo identificar as hipóteses de escrita em que cada criança se encontra — como pré-silábica, silábica, silábico-alfabética ou alfabética.
Essa sondagem pode ser feita por meio de atividades simples, como a solicitação para que os alunos escrevam palavras familiares, frases ditadas ou pequenas produções espontâneas. O importante é observar como cada estudante representa a linguagem por meio da escrita, quais critérios utiliza para escolher letras, como relaciona sons e grafias, e quais dificuldades apresenta nesse processo.
A análise cuidadosa dos resultados permite você traçar um retrato do grupo, reconhecendo os diferentes níveis de aprendizagem e necessidades específicas. Com base nesse mapeamento inicial, será possível organizar os grupos de trabalho de forma estratégica, planejar intervenções pedagógicas eficazes e acompanhar o progresso dos alunos de maneira mais direcionada e significativa ao longo do projeto.
Apresentação do projeto
Com o diagnóstico inicial concluído, é hora de engajar os alunos de forma significativa no projeto. O primeiro passo é apresentar a proposta de maneira clara e envolvente: a criação coletiva de lenga-lengas, desenvolvidos a partir das ideias e produções escritas das próprias crianças.
Nesse momento, você deve explicar o que é uma lenga-lenga — um tipo de texto divertido, cheio de repetições, rimas e ritmo — e contar que, ao longo das aulas, a turma vai explorar esse gênero para criar suas próprias histórias rimadas. O segredo para o engajamento é apresentar o projeto não como uma atividade qualquer, mas como uma verdadeira missão de autores: cada criança será escritora de um livro que será lido por outras pessoas.
Ao apresentar essa proposta, você também desperta nos alunos o senso de pertencimento e protagonismo. Saber que cada um terá seu texto valorizado e publicado — quem sabe até com um lançamento de livro ao final do projeto — gera entusiasmo e responsabilidade. As crianças passam a entender que estão aprendendo a ler e escrever não apenas para cumprir uma tarefa escolar, mas para expressar suas ideias e se comunicar com o mundo.
É o momento de plantar a semente da autoria, da criatividade e do prazer pela leitura e escrita. A partir daí, todo o processo pedagógico ganha um novo sentido: o de dar voz às crianças e transformar a alfabetização em uma experiência viva, afetiva e coletiva.
Leitura e Exploração de Modelos
Antes de iniciar o projeto, você pode realizar a Semana da lenga-lenga, proporcionando uma imersão mais ampla nesse tipo de texto. Caso isso não seja possível, reserve ao menos um momento para a leitura de dois dos livros sugeridos abaixo:
- Leitura do Dez Capivaras.
- Destaque rimas, repetições e estrutura dos textos. Outros exemplos:
- Nove irmãs.
- “Dez Sacizinhos”, de Tatiana Belinky.
- "Chá das dez", de Celso Sisto.
Após a leitura, observe com os alunos as diferentes estruturas presentes nos textos. Você pode sugerir que, ao escreverem suas próprias lenga-lengas, escolham um dos modelos apresentados como inspiração.
Dez Capivaras
| Nove → Oito | Oito → Sete |
|---|---|
| NOVE CAPIVARAS CAMINHAVAM NO PARQUE, APRECIANDO O SOL DA MANHÃ. | OITO CAPIVARAS CAMINHAVAM NO PARQUE, APRECIANDO O SOL DA MANHÃ. |
| UMA SE ASSUSTOU COM UM CICLISTA MUITO AFOITO... E ENTÃO, SOBRARAM OITO. | UMA PENSOU: “PRECISO ARRUMAR MEU TOPETE!” FOI EMBORA... E ENTÃO, SOBRAM SETE. |
Nove irmãs
| Nove → Oito | Oito → Sete |
|---|---|
| Eram nove irmãs numa casa, uma foi fazer biscoito. | Eram oito irmãs numa casa, uma foi amolar canivete. |
| Deu tangolomango nela e das nove ficaram oito | Deu tangolomango nela e das oito ficaram sete. |
Toca dos coelhos
| Nove → Oito | Oito → Sete |
|---|---|
| E dos nove que ficaram, Um saiu pulando afoito. | Desses oito coelhinhos, Um foi aprender trompete. |
| Deu o tangolomango nele, E dos nove restam oito | Deu o tangolomango nele, Dos oito ficaram sete |
Chá das dez
| Nove → Oito | Oito → Sete |
|---|---|
| Eram nove amigas velhinhas, Todas bem penteadinhas Para o chá com biscoito. | Eram oito amigas velhinhas, Todas bem perfumadinhas Para o chá com crepe suzete. |
| Uma quebrou o pé E, então, sobraram oito. | Uma ficou de cama E, então, sobraram sete. |
Dez Sacizinhos
| Nove → Oito | Oito → Sete |
|---|---|
| Eram nove, os sacizinhos; | Eram oito, os sacizinhos; |
| Um comeu biscoito, O biscoito estava velho, E sobraram oito. | Um foi de charrete, A charrete emborcou, E sobraram sete. |
Além da leitura de livros no formato de lenga-lenga e análise da sua estrutura, essa etapa também pode ser uma excelente oportunidade para apresentar aos alunos as etapas de produção de um livro, ampliando sua compreensão sobre o processo que envolve a escrita autoral.
Para isso, você pode utilizar um vídeo que mostra os bastidores da criação do livro A Menina que Não Comia Nada, onde explico de forma leve e acessível como nasce um livro — desde a ideia inicial até a publicação. No vídeo, comparo esse percurso ao funcionamento de um game, com fases, desafios e conquistas, o que torna o conteúdo ainda mais divertido e próximo do universo infantil.
Essa atividade ajuda os alunos a entenderem que escrever um livro é um processo em várias etapas: imaginar, planejar, escrever, revisar, ilustrar, diagramar e, por fim, publicar. Ao conhecer esse caminho desde o início, as crianças se sentem mais preparadas para viver a experiência de autoria, sabendo que o que elas produzirão também seguirá um percurso parecido, com atenção aos detalhes e muitas possibilidades de criação.
Formação de grupos
Para que o projeto favoreça o aprendizado de todos os alunos, é importante organizar os momentos de produção de texto de maneira estratégica. Uma das formas de fazer isso é por meio da formação de grupos de trabalho, respeitando o estágio de desenvolvimento da escrita em que cada criança se encontra. Essa organização permite que as interações entre os colegas ampliem as possibilidades de aprendizagem e que o você acompanhe mais de perto o progresso individual e coletivo.
Uma estratégia possível é agrupar alunos que se encontram em hipóteses de escrita semelhantes, favorecendo discussões mais produtivas, já que compartilham desafios parecidos. Ao mesmo tempo, é interessante garantir que, em cada grupo, haja pelo menos uma criança em uma hipótese mais avançada — como a silábico-alfabética ou a alfabética — para estimular a troca entre os pares e enriquecer as reflexões sobre a escrita.
Essa composição, no entanto, não deve ser encarada como uma regra rígida. Use sua experiência para adaptar a formação dos grupos, levando em conta as características da turma, os objetivos da atividade e o momento de aprendizagem. O mais importante é que essa organização seja intencional e baseada no diagnóstico inicial, garantindo que todos os alunos tenham oportunidades reais de participar, contribuir e se desenvolver ao longo do projeto.
Ao atuar dessa maneira, você transforma a heterogeneidade da turma em um recurso pedagógico poderoso, promovendo uma alfabetização mais colaborativa, sensível e ajustada às necessidades reais das crianças.
Cada grupo deve escolher
Antes de começar a escrever, é fundamental que cada grupo tenha um momento dedicado ao planejamento coletivo. Essa etapa funciona como uma preparação estratégica, que favorece a organização das ideias e estimula o envolvimento de todos na criação do texto. Ao planejar juntos, os alunos já começam a refletir sobre a estrutura do gênero, fortalecendo a autoria compartilhada.
Durante essa fase, cada grupo deve tomar três decisões importantes:
- A situação ou cenário
Os alunos escolhem um contexto que dará unidade e sentido à lenga-lenga. Pode ser uma cena do cotidiano, uma situação engraçada, uma confusão inesperada ou até algo fantástico — como uma casa maluca, uma festa de animais ou um piquenique desastroso. Essa escolha ajuda a criar um fio narrativo que ligará os versos e sustentará a repetição rítmica do texto. - Os dez elementos
Seguindo a estrutura de um Tangolomango, cada grupo deve definir o elemento que será repetido ao longo da lenga-lenga — como “dez gatos”, “dez monstros”, “dez amigos”, entre outros. A sequência seguirá uma contagem regressiva, partindo de 10 até 1 (ou até zero/nenhum). Você também pode orientá-los a se inspirar em uma das estruturas exploradas no tópico Leitura e Exploração de Modelos. - O escriba do grupo
O grupo também deve escolher um aluno que ficará responsável por organizar a versão final do texto que será entregue a você. É importante deixar claro que todos os integrantes devem escrever e participar ativamente da criação do texto — a função do escriba não é escrever sozinho, mas sim compilar, registrar e revisar, com apoio dos colegas, a versão coletiva final. Essa função valoriza a responsabilidade e a atenção à clareza do texto, além de dar visibilidade ao processo de autoria coletiva. Ao reservar esse momento para que os grupos façam essas escolhas com calma e em diálogo, você promove uma escrita mais planejada, coesa e conectada ao gênero textual. Além disso, essa etapa favorece a autonomia dos alunos, fortalece a escuta e a cooperação, e prepara o caminho para uma produção textual rica em criatividade e intenção comunicativa.
Durante a escrita, promova intervenções pedagógicas
À medida que os grupos iniciam a produção de seus tangolomangos, o seu papel ganha um aspecto ainda mais ativo: o de mediador atento e provocador de reflexões. Essa etapa exige presença constante e escuta sensível. É o momento de circular entre os grupos, acompanhar o desenvolvimento da proposta e fazer intervenções pedagógicas pontuais, com o objetivo de ampliar o repertório, aprofundar a reflexão sobre a escrita e garantir a aproximação com as características do gênero textual.
A dinâmica de circulação é fundamental. Ao dedicar cerca de 10 a 15 minutos por grupo, é possível interagir mais de uma vez com cada equipe durante a mesma aula, o que favorece um acompanhamento contínuo e dinâmico. Em cada visita, você se posiciona ao lado dos alunos — não como quem corrige, mas como quem escuta, pergunta e provoca avanços.
As intervenções mais ricas surgem das boas perguntas. Em vez de dar respostas prontas, você pode propor desafios como:
- Onde está escrita essa palavra?
- Essa palavra não está faltando alguma coisa?
- Você conhece outra palavra com um som parecido?
- Como será que escreve isso para combinar com a rima do número sete?
Essas perguntas não apenas promovem a reflexão sobre o sistema de escrita alfabética, mas também ajudam os alunos a monitorarem o próprio texto, confrontando suas hipóteses com o conhecimento já construído. É importante também considerar questões relacionadas à estrutura do gênero, questionando: – O que precisa acontecer no final para sobrar só um personagem? – Será que esse trecho está rimando como nos exemplos que lemos? – O que precisa aparecer no seu texto para ele parecer um tangolomango?
Essa mediação desperta nos alunos um novo olhar para a própria produção. Muitas vezes, as reflexões passam a surgir espontaneamente: eles começam a sugerir rimas uns para os outros, revisar trechos lidos em voz alta, levantar dúvidas, negociar soluções e até mesmo corrigir escritas com base na escuta e nas discussões em grupo. Frases como “Vamos ler de novo?”, “O que rima com dois?” ou “Está faltando alguma coisa aqui!” tornam-se parte natural da dinâmica coletiva.
Para ajudar os alunos nas escolhas das rimas você pode sugerir o uso do dicionário. Pesquisas na Internet do tipo "palavras terminadas em" podem ajudar caso não surja nenhuma ideia. Montei esta página com alguns exemplos, mas é importante que você deixe que as rimas apareçam das interações entre alunos, de pesquisas na internet e da análise do significado das palavras no dicionário.
Ao longo da escrita, você também pode selecionar trechos de textos em andamento e ler em voz alta para a turma. Essa prática tem dois efeitos potentes: estimula os grupos que ainda estão com dificuldade a retomarem o trabalho com mais entusiasmo e valoriza as ideias criativas dos colegas, o que promove admiração, inspiração e até uma dose saudável de desafio entre os grupos.
Além das intervenções nos grupos, é possível propor discussões coletivas em momentos estratégicos, como quando surgem dúvidas sobre a grafia de uma palavra ou quando diferentes grupos escreveram de formas distintas o mesmo vocábulo. Nessas situações, a sala pode debater coletivamente as escolhas, compartilhar estratégias e buscar fontes de informação — como o quadro de palavras, os livros da sala ou até mesmo a leitura oral — para resolver a questão.
Nesta etapa, o foco principal é a criação do texto. Não se preocupe excessivamente com a ortografia. Priorize uma escrita espontânea — o momento de revisar e aperfeiçoar virá na próxima etapa.
Nesse circuito de intervenções, o professor é presença constante e intencional: observa, pergunta, escuta, desafia e apoia. É esse trabalho, invisível à primeira vista, que faz toda a diferença — conduzindo os alunos, com delicadeza e firmeza, no caminho da autoria e do letramento.
Depois da escrita
Com os textos coletivos finalizados, inicia-se uma etapa igualmente rica: a revisão e finalização das produções, momento em que os alunos passam a olhar para suas próprias criações com um novo olhar — mais crítico, mais apurado, mais atento à clareza e à coerência do que foi escrito. Aqui, o foco se desloca da produção para o aprimoramento.
Uma boa prática é projetar os textos produzidos pelos grupos, utilizando o projetor da sala, uma lousa digital ou mesmo escrevendo no quadro. Ao tornar o texto visível para todos, você convida a turma a revisar coletivamente, como fazem os editores profissionais com os autores antes da publicação de um livro.
Durante essa leitura compartilhada, é possível levantar perguntas que estimulem a reflexão, como:
- Essa frase está clara para quem for ler?
- Ficou coerente com a situação que vocês escolheram?
- Será que essa palavra poderia ser escrita de outra forma?
- Outra palavra que poderia se usada aqui?
- Todas as estrofes mantêm a contagem decrescente?
- Essa rima funciona bem com o número que vocês usaram?
- Vamos conferir no dicionário como esta palavra é escrita?
A utilização do dicionário, nesse momento, pode ser incentivada como ferramenta de consulta e construção da autonomia dos alunos. Ao buscar juntos a grafia correta das palavras, os estudantes aprendem que escrever bem não é saber tudo de cabeça, mas saber como e onde encontrar as informações de que precisam.
Essa etapa também permite abordar a ideia de que a escrita é um processo, e não um produto final imediato. Ao explicar que os livros publicados passam por várias revisões antes de chegar às mãos dos leitores, o professor valoriza a prática da reescrita e aproxima os alunos do universo real da produção editorial.
Após a revisão do texto, os grupos partem para outra atividade importante e envolvente: a produção das ilustrações. Cada grupo pode dividir entre os membros a responsabilidade por ilustrar estrofes específicas, garantindo que o visual dialogue com o conteúdo e a sequência da lenga-lenga. As ilustrações trazem vida ao texto e aprofundam a compreensão do que foi escrito, além de permitir que os alunos expressem sua criatividade de forma visual.
Caso a escola não disponha de um scanner, você pode fotografar as ilustrações com o celular. Uma alternativa eficiente é usar aplicativos como o Google Drive, que possui uma função específica para digitalizar documentos, melhorando a qualidade da imagem capturada. Assim, os livros podem ser organizados em versão digital (como apresentação em slides ou PDF) e até mesmo impressos para compor o acervo da escola ou serem levados para casa.
Essa fase de finalização é marcada por orgulho, responsabilidade e encantamento. Os alunos veem suas palavras ganhando forma, cor e sentido. Mais do que concluir uma atividade, eles concretizam uma experiência de autoria, compreendendo, na prática, o valor da escrita como forma de comunicação, expressão e criação.
Diagramação e Lançamento dos Livros
Com os textos revisados e as ilustrações prontas, chega o momento de transformar a produção dos alunos em um livro ilustrado — um produto final que materializa todo o processo vivido ao longo do projeto. Essa etapa marca a transição da autoria em sala de aula para a publicação simbólica, promovendo um sentimento de realização, pertencimento e orgulho.
Digite os textos e use ferramentas como o PowerPoint, Google Slides ou Canva para a montagem dos livros. Se possível, crie uma versão impressa e outra digital dos livros. A versão digital pode ser compartilhada com as famílias, publicada no site da escola ou apresentada em um telão durante a culminância do projeto. As versões impressas podem compor o acervo da biblioteca escolar, ser levadas para casa ou até mesmo organizadas em pequenas exposições na sala ou em murais.
Para fechar o projeto com chave de ouro, organize um lançamento oficial dos livros. Esse evento pode ser simples, mas simbólico: uma roda de leitura, uma tarde de autógrafos com direito a dedicatórias ilustradas, uma apresentação para outras turmas ou até uma "Feira de Lenga-lengas". O mais importante é criar um momento que valorize publicamente os autores e mostre que as palavras deles importam, têm valor e merecem ser lidas e celebradas.
Durante o lançamento, permita que os grupos apresentem suas produções, contem como criaram suas histórias ou leiam trechos em voz alta. Esse espaço de compartilhamento reforça o vínculo com a leitura, a oralidade e o senso de autoria.
Finalizar o projeto com uma publicação visível e um momento de celebração faz com que os alunos compreendam a escrita como uma ação social real, que ultrapassa os limites da sala de aula. Eles não apenas aprenderam a escrever — eles escreveram algo que será lido por outros. E essa é uma das experiências mais potentes e transformadoras na trajetória de alfabetização. E talvez esse seja um dos maiores convites à leitura — quando a criança entende que os livros também falam dela, e que ela também pode falar com os livros.